Tecnologia

FIFA lança desafios para ampliar uso de tecnologias vestíveis no futebol

A FIFA abriu três novos desafios dentro do seu Programa de Inovação, iniciativa voltada ao desenvolvimento de soluções tecnológicas aplicadas ao futebol. Entre as frentes apresentadas estão as tecnologias vestíveis no futebol, capazes de acompanhar indicadores físicos e fisiológicos dos atletas, e as placas de substituição conectadas aos sistemas de gerenciamento das partidas.

De acordo com a FIFA, as propostas poderão ser desenvolvidas e aprimoradas com o apoio de sua rede de parceiros de pesquisa e de instituições acadêmicas. O prazo para a apresentação das soluções termina em 1º de novembro de 2026.

O que a FIFA busca nas tecnologias vestíveis

Uma das frentes do programa concentra-se em dispositivos capazes de coletar informações em tempo real sobre as condições dos jogadores. A entidade cita dados relacionados à hidratação, à carga física, à recuperação e ao estresse como exemplos de indicadores que poderão ser monitorados pelas ferramentas.

A proposta amplia o debate sobre o uso de dados no acompanhamento do desempenho esportivo. Em vez de depender apenas de avaliações realizadas antes ou depois dos treinos e jogos, as equipes poderiam contar com informações produzidas durante a atividade. O objetivo do desafio, segundo a FIFA, é encontrar soluções aplicáveis ao futebol e adequadas ao trabalho de atletas e profissionais de desempenho.

Para que esse tipo de tecnologia tenha utilidade em competições, a coleta precisa ser confiável, consistente e compatível com a dinâmica do jogo. O Programa de Inovação da FIFA pretende justamente aproximar empresas desenvolvedoras, pesquisadores e instituições capazes de testar e aperfeiçoar essas ferramentas em um ambiente ligado ao futebol.

Placas conectadas podem digitalizar substituições

A segunda frente destacada pela entidade envolve placas de substituição conectadas aos sistemas de gestão das partidas. A ideia é automatizar a exibição do número dos atletas que deixam o campo e integrar essa etapa ao gerenciamento digital do jogo.

Atualmente, a comunicação visual das substituições depende da operação manual das placas à beira do gramado. Uma solução conectada poderia vincular a informação registrada no sistema da partida à exibição feita no estádio, reduzindo etapas no procedimento e criando uma ligação direta entre a administração do jogo e o equipamento utilizado pelos árbitros.

A tecnologia também se relaciona à busca por maior padronização nas operações do futebol. Ao integrar a comunicação de uma substituição aos sistemas digitais da partida, a solução poderá apoiar o trabalho de arbitragem e dos demais profissionais envolvidos na organização do evento, desde que seja validada para uso em diferentes contextos.

Pesquisa e validação estão no centro do programa

Os novos desafios fazem parte de uma estratégia da FIFA para identificar tecnologias que possam ser testadas com parceiros de pesquisa e universidades. A entidade não trata apenas da criação de dispositivos, mas também da avaliação de sua aplicação prática no futebol.

Esse processo é importante porque dados biométricos e fisiológicos exigem critérios técnicos para interpretação. Uma informação sobre estresse, recuperação ou carga física precisa ser coletada de forma adequada e analisada dentro do contexto do atleta. A validação científica ajuda a diferenciar uma ferramenta útil de um dispositivo que apenas produz grande volume de informações.

O mesmo cuidado se aplica às placas conectadas. Para fazer parte da rotina de uma competição, a solução deve funcionar de maneira integrada aos procedimentos oficiais e manter comunicação clara entre os sistemas envolvidos. A automação, nesse caso, precisa contribuir para a operação sem criar novas dificuldades para árbitros, equipes e organização.

Próximo passo é receber propostas até novembro de 2026

As empresas, grupos de pesquisa e instituições interessadas têm até 1º de novembro de 2026 para apresentar suas propostas à FIFA. A partir dos desafios lançados, a entidade pretende ampliar a rede de soluções avaliadas para o desenvolvimento do futebol.

O movimento mostra que a inovação esportiva não está limitada às tecnologias de arbitragem. O monitoramento de atletas e a digitalização de tarefas operacionais também aparecem como áreas prioritárias para a evolução das competições. Para o futebol, a combinação entre sensores, conectividade e análise de dados pode aproximar preparação física, gestão de partidas e pesquisa científica em uma mesma estrutura tecnológica.

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