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A trava de preço na comercialização da soja: Proteção e riscos

O preço da soja pode variar mais de vinte por cento entre o plantio e a colheita, movido por clima, câmbio e estoque mundial. O empresário Wander Aguilera Almeida, intermediador no mercado de grãos, vê nesse tipo de oscilação o motivo pelo qual cada vez mais produtores fecham negócio antes mesmo de a lavoura estar pronta para colher.

Esse tipo de operação tem nome: venda para entrega futura, também chamada de trava de preço. Funciona como um acordo antecipado, em que o preço é fixado antes da colheita, independentemente do que aconteça com a cotação nos meses seguintes.

O que é vender antes de colher?

Na venda para entrega futura, produtor e comprador combinam preço, volume e data de entrega com meses de antecedência, muitas vezes antes mesmo do plantio terminar em toda a propriedade. O grão só é entregue na colheita, mas o valor já está definido desde a assinatura do contrato, sem depender de nenhuma variação posterior.

Wander Aguilera Almeida esclarece que essa modalidade funciona como um seguro contra queda de preço: o produtor sabe exatamente quanto vai receber por saca, independentemente de a cotação cair nos meses seguintes por excesso de oferta, câmbio desfavorável ou qualquer outro fator de mercado difícil de prever com antecedência.

Isso não significa que o produtor está livre de risco. Ele apenas trocou o risco de preço por outro tipo de compromisso: entregar o volume combinado, na data combinada, com a qualidade combinada, mesmo que a safra real seja menor do que o esperado por causa de clima adverso, pragas ou qualquer outro imprevisto no campo.

O que se perde ao travar o preço?

Se a cotação subir depois da assinatura do contrato, o produtor simplesmente não aproveita essa alta, mesmo sabendo que ela está acontecendo em tempo real no mercado. O valor já está fixado, e o que parecia proteção na hora da assinatura pode parecer perda de oportunidade meses depois, quando o preço de mercado supera com folga o que foi travado no papel.

Wander Aguilera Almeida
Wander Aguilera Almeida

Wander Aguilera Almeida reforça que essa é a principal razão pela qual nem todo produtor trava 100% da safra: parte tende a ficar de fora do contrato futuro, justamente para manter alguma exposição à possibilidade de um preço melhor na colheita.

Quando essa proteção faz mais sentido?

A trava de preço tende a ser mais interessante em safras com custo de produção elevado, quando o produtor precisa de previsibilidade de receita para cobrir despesas já assumidas com insumos, maquinário, frete e mão de obra contratada com meses de antecedência.

Também faz sentido quando o histórico do mercado indica tendência de queda para aquele grão específico, situação em que garantir o preço atual reduz a exposição a uma queda que pode se confirmar bem antes da colheita finalmente chegar ao fim.

Produtores que já passaram por uma safra em que o preço despencou nos últimos meses antes da colheita tendem a olhar essa ferramenta com outros olhos na temporada seguinte, mesmo que a experiência anterior tenha sido em outro grão ou outra região.

A importância de decidir com antecedência o risco ao usar trava de preço

Para Wander Aguilera Almeida, a trava de preço não é uma aposta certa em nenhuma direção, mas uma forma de o produtor decidir, com antecedência e sem pressa, que tipo de risco está disposto a assumir naquela safra específica, dado o custo já investido na lavoura. Entender essa lógica, mais do que tentar cravar o momento perfeito de vender, é o que ajuda o produtor a tomar decisões mais tranquilas ao longo de toda a temporada, sem depender de sorte para fechar a conta no fim do ano.

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