O Dr. Vinicius Rodrigues acompanha de perto um conjunto de estudos que vem mudando a discussão sobre mamas densas. Na Holanda, o ensaio clínico DENSE ofereceu ressonância magnética a mulheres com mamas extremamente densas e mamografia normal, e a taxa de câncer de intervalo caiu pela metade no grupo que fez o exame. O resultado reforçou a busca por métodos que levem informações semelhantes a um número maior de pacientes, com menos custo e menos tempo de exame.
Imagem que mostra a atividade do tumor
A mamografia convencional mostra a anatomia da mama, ou seja, a densidade dos tecidos. Os métodos com contraste acrescentam outra camada de informação. Tumores formam novos vasos sanguíneos para crescer, e esses vasos captam o contraste injetado na veia de forma diferente do tecido normal.
Na prática, a lesão passa a se destacar pela atividade, e não apenas pela forma. A vantagem é mais evidente em mamas densas, nas quais o tecido glandular e o tumor aparecem igualmente claros na mamografia comum, dificultando a separação entre os dois.
Como funciona a mamografia com contraste
O exame utiliza o mesmo princípio da mamografia, com compressão da mama e imagens nas incidências habituais. A diferença é a aplicação prévia de contraste iodado na veia, semelhante ao usado em tomografias. O aparelho registra imagens com duas energias de radiação, e o sistema combina essas informações para mostrar onde o contraste se concentrou.
Estudos indicam desempenho próximo ao da ressonância em várias situações, com tempo de exame menor e equipamento mais acessível. De acordo com Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, a possibilidade de aproveitar a estrutura de mamografia já existente nos serviços é um dos fatores que tornam o método atraente para a ampliação do acesso.
Ressonância abreviada, menos tempo na máquina
A ressonância magnética das mamas é o exame mais sensível disponível, mas o protocolo tradicional pode levar de 30 a 40 minutos e tem custo elevado. A versão abreviada mantém as sequências mais informativas e reduz o tempo de aquisição para cerca de 10 minutos. Com menos tempo por paciente, o mesmo equipamento pode atender mais mulheres por dia.
Um estudo norte-americano publicado em 2020, com mulheres de mamas densas, mostrou que a ressonância abreviada detectou mais cânceres invasivos do que a tomossíntese. O dado sustenta a avaliação do método como opção complementar em programas de rastreamento para grupos selecionados.
Limites que ainda precisam ser superados
As novas técnicas não estão livres de restrições. A mamografia com contraste não é indicada para pessoas com alergia ao contraste iodado ou com função renal comprometida, e acrescenta uma pequena dose de radiação ao exame. A ressonância exige contraste à base de gadolínio e não é adequada para quem tem alguns tipos de dispositivos metálicos implantados.
Há ainda o aumento de achados que precisam ser investigados e se revelam benignos. Na avaliação de Vinicius Rodrigues, definir quais mulheres se beneficiam desses exames é tão importante quanto a tecnologia em si, para que o ganho na detecção não venha acompanhado de biópsias desnecessárias em excesso.
O lugar de cada exame no futuro
A tendência aponta para um rastreamento mais personalizado. Em vez de um único exame para todas, a combinação de idade, densidade mamária, histórico familiar e fatores genéticos poderá definir quem segue com a mamografia convencional e quem precisa de métodos complementares.
A mamografia continua sendo a base, por seu custo, disponibilidade e eficiência na detecção de microcalcificações. Conforme observa Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues, as inovações em diagnóstico por imagem tendem a funcionar como camadas adicionais, indicadas conforme o risco de cada mulher, e não como substitutas do exame que sustenta o rastreamento há décadas.



